A ciência contemporânea é categórica: o que acontece na boca não fica apenas na boca.

A cavidade oral é um reservatório de bactérias que, através da corrente sanguínea, podem causar danos em órgãos vitais.

1. Coração e Sistema Vascular (Enfartes e AVC)

Existe uma relação direta entre a doença periodontal e a formação de placas de ateroma (gordura e bactérias) nas artérias. Além do risco de AVC e Enfarte, bactérias orais podem instalar-se nas válvulas cardíacas, provocando a Endocardite Bacteriana, uma condição potencialmente fatal.

2. Declínio Cognitivo e Doença de Alzheimer

Estudos recentes (2019-2024) identificaram uma bactéria típica da boca, a bactéria Porphyromonas gingivalis, no cérebro de pacientes com Alzheimer. A inflamação oral crónica liberta toxinas (gingipaínas) que podem acelerar a neuroinflamação e a perda de memória.

3. Artrite Reumatoide

As mesmas toxinas (gingipaínas) podem atuar como gatilho para a artrite reumatoide em indivíduos predispostos, desregulando o sistema imunitário e levando a um ataque autoimune às articulações.

4. Complicações Respiratórias (Pneumonia)

As bactérias da boca podem ser aspiradas para os pulmões, especialmente em pacientes com o sistema imunitário fragilizado, sendo uma causa comum de pneumonias bacterianas graves.

5. Diabetes e Saúde Metabólica

A relação entre a boca e a diabetes é bidirecional e o seu equilíbrio é o fator determinante para o sucesso de qualquer reabilitação oral. Enquanto a diabetes descompensada acelera a perda de osso em torno dos dentes e implantes, a presença de infeção nas gengivas (ou nos tecidos peri-implantares) liberta mediadores inflamatórios na corrente sanguínea que bloqueiam a ação dos fármacos.

Uma manutenção oral rigorosa e frequente reduz esta carga inflamatória, potenciando a eficácia tanto da insulina como dos antidiabéticos orais (como a metformina). Ao estabilizarmos a saúde oral:

  • Otimizamos a Medicação: O organismo responde melhor aos fármacos, permitindo um controlo mais linear da glicémia (HbA1c) e oferecendo ao seu médico assistente a margem necessária para ajustar, ou até reduzir, as doses da medicação diária.
  • Protegemos o Implante: Em pacientes diabéticos, o risco de peri-implantite (infeção que destrói o osso em volta do implante) é significativamente maior. A profilaxia profissional trimestral é o “seguro” que garante a redução do risco de o açúcar no sangue comprometer a integração do implante no osso.

6. Saúde Sexual e Materno-Infantil

A inflamação oral está ligada à disfunção erétil devido a danos no endotélio vascular. Em grávidas, a doença periodontal é um fator de risco comprovado para o parto pré-termo (prematuro) e baixo peso à nascença.

Conclusão: O Poder da Profilaxia

Na medicina dentária moderna, tratamos pessoas e não apenas dentes. Por isso, abandonámos as soluções genéricas em favor da Classificação de Risco Personalizada — um sistema de vanguarda desenhado para salvaguardar a sua saúde e proteger o seu património financeiro. VEJA MAIS AQUI

A profilaxia regular é o tratamento mais barato, indolor e inteligente que existe.

 Cuide da sua boca para proteger o seu cérebro, o seu coração e a longevidade do seu sorriso.

Já sabe qual é a sua classificação de risco? Agende a sua consulta de avaliação e garanta que o seu investimento dure o máximo possível para o seu caso.

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